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PROFESSOR NÃO É ESCRAVO!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O SILÊNCIO

Do Cinematógrafo Lumière até as salas de projeção em 3D muita coisa mudou. Dessa invenção que, em julho de 1897, assombrou a sociedade carioca, que com espanto presenciara “pinturas moverem-se, andarem-se, trabalharem, ouvirem, chorarem, morrerem, com tanta perfeição e nitidez, como se Homens, Animais e Coisas Naturais fossem” como registrou cronista da época, surgiu a sétima arte – o cinema.
Dia desses, me rendi ao apelo das crianças e fomos ao shopping, não gosto dessa expressão, parece muito gabola; mas o certo é que fomos lá, não para passear com sacolas de grifes famosas nas mãos, o dinheiro não dá pra isso, muito menos a disposição. Fomos nos “assombrar” com a nitidez e perfeição do cine em 3D, ver e ouvir o lançamento do desenho animado Rio 2. No que pese ao seu favor o forte apelo ecológico, o filme é uma versão brasileira para gringo ver, distribuído pela Fox Filmes sob a direção de um brasileiro. O espaço narrativo sai do Rio de Janeiro e se desloca para qualquer lugar da Amazônia. Blu, personagem protagonista, um produto urbano, precisa se adaptar à dura vida na floresta. A ararinha azul, sua família e amigos depois de uma longa viagem, encontra um bando de ararinhas azuis.  Blu aprende a primeira lição: ele não é o único da sua espécie. Já no bando, sofre a concorrência de um amiguinho de infância de sua companheira, Jade. A segunda lição: ninguém é insubstituível. Depois de várias tentativas de se enturmar com a família de sua companheira e seu sogro, Blu decide participar de uma partida de futebol. Em um lance que domina a bola, passa por todo mundo rumo ao gol, Blu acha que finalmente será reconhecido pelos seus iguais, iria salvar a partida empatada já no último lance, quando faz o gol descobre a tragédia que fez – gol contra. Ai está a sua terceira lição: às vezes, pensamos estar ajudando; quando de fato estamos atrapalhando. Invés do reconhecimento dos amigos, Blu teve a indiferença e o escárnio. Quem nunca passou por essas situações que atire a primeira pedra, mas mire bem na fronte que é pra derrubar de vez! Como diz um velho e batido dito popular “o silêncio, às vezes, falam mais que mil palavras”. Paulo, o de Tarso, é quem não concordava muito com isso, pois não se cansava de dizer que preferia “dizer uma palavra e ser entendido, do que mil palavras e ninguém entender nada”. O silêncio é uma linguagem que poucos entendem. 



sexta-feira, 11 de abril de 2014

NOTÍCIAS DO PODER LEGISLATIVO

Audiência do Minha Casa Rural atrai representantes de mais de 30 comunidades à Câmara

Vereador Ilker Moraes propôs a audiência porque até agora nenhuma família foi beneficiada em Marabá
Audiência do Minha Casa Rural atrai representantes de mais de 30 comunidades à Câmara

Na manhã desta quarta-feira, 9, a Câmara Municipal de Marabá realizou uma audiência pública para discutir as condições de implantação do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) em Marabá e outros municípios desta região. A audiência foi proposta pelo vereador Ilker Moraes, que conduziu os trabalhos e apresentou, um a um, os representantes de mais de 30 associações e sindicatos de trabalhadores rurais de Marabá, São João do Araguaia, São Domingos e Itupiranga.
Também participaram da audiência a deputada estadual Bernadete ten Caten, Antônio Araújo, representante da Fetagri, Francisco Ferreira Carvalho, presidente estadual da Fetrafi, Lindonilce de Souza Oliveira, servidora da Caixa Econômica Federal, Wanderley Bueno, gerente geral do Banco do Brasil da Praça São Francisco, Alécio Stringari, vereador da zona rural, Gilmar Muniz, assessor do Banco do Brasil, Adalberto Serafim, Superintendente Regional do Banco do Brasil para a área de Varejo, Bruno Roberto, do Banco do Brasil.
Ilker Moraes abriu os trabalhos explicando que era preciso debater avanços e entraves na política pública de habitação rural com agentes financeiros responsáveis, no caso o Banco do Brasil e Caixa Econômica e disse que os presidentes de associações são responsáveis pela difusão das questões propostas na audiência. Explicou que as habitações rurais ligadas aos assentamentos eram feitas via Incra, anteriormente, mas agora ocorre pelo financiamento através de bancos e é importante que se consiga sanar os problemas e apontar soluções. “Não se pode dizer apenas que está errado e burocrático. É importante fazer o programa avançar em Marabá e outros municípios”, advertiu.

Adalberto Serafini, Superintendente Regional de Varejo do Banco do Brasil, disse que a política pública de subsídio de concessão do programa é sem retorno para quem movimenta a agricultura. Segundo ele, o déficit na habitação rural é expressivo e mostrou que na região Norte há carência de construção de 641.107 casas, sendo que no Pará são 66.758 famílias à espera de casas, sendo o Estado mais carente no Norte.
Serafini esclareceu que o BB e Caixa são responsáveis pelo PNHE, que cumprem determinações do governo federal, mas há também responsabilidade institucional na adequada operacionalização desta política pública, no caso das associações de moradores. Ele advertiu que os valores subsidiados devem ser usados com muita responsabilidade, sob risco de ter de excluir novas concessões às comunidades. “A exemplo do Pronaf, regiões inteiras ficam impedidas de usufruir dessa política pública se houver falhas”.

Bruno Roberto, da Caixa Econômica Federal, disse que o Ministério das Cidades é o gestor da aplicação do programa, o Ministério da Fazenda é gestor dos recursos, o Ministério do Desenvolvimento Social pela construção de cisternas; a Caixa e BB como agentes financeiros e gestores operacionais.
Ele explicou que o primeiro critério para acessar as casas é que o agricultor familiar tem de ter renda até R$ 15.000 ao ano. Na região Norte, o subsídio para construir é de R$ 30.500,00 e reforma R$ 18.400,00. Há mais um recurso no valor de R$ 1.000 para pagamento de assistência técnica porque todas elas precisamente um projeto de engenharia.
Como contrapartida, o agricultor tem de pagar R$ 1.220, o que representa 4% do valor. “É um valor simbólico, que pode ser quitado em até quatro parcelas, uma por ano”, explica Bruno, esclarecendo que não pode uma pessoa física acessar o programa e é preciso que se organize através de uma associação de moradores.

A deputada estadual Bernadete ten Caten considerou que o programa é praticamente uma gratuidade com apenas 4% a ser pago. “Quem está aqui hoje é porque não está satisfeito pela grande lentidão dos bancos no atendimento ao PNHR. Fiquei feliz que as demandas estão sendo encaminhadas para a Caixa. Esse programa tem que ser de acesso a quem precisa. A situação da Caixa eu considero grave, a insatisfação com esse banco é enorme, e nós precisamos levar essa denúncia para a presidência da Caixa em Brasília porque aqui o programa ainda não começou”, criticou.
Ela observou que as associações apresentaram vários projetos bem elaborados e a análise leva entre seis meses a um ano e não se viabiliza. “A Caixa tem de agilizar e colocar técnicos para trabalhar. Não há equipe suficiente para desenvolver o programa nesta região”, criticou.
Antônio Rego, representante do Incra, avaliou que o programa inicial pelo Incra chegou ao limite máximo de R$ 25 mil de financiamento o e assentado tinha de devolver 100%. Agora, só precisa devolver 4%.
O vereador Alécio Stringari, representante da zona rural na Câmara, disse que representam do povo devem levar informações para que todos tenham acesso ao programa e morem em casas dignas. Ele questionou por que é necessária comprovação de renda para todo mundo na zona rural, se alguns dos agricultores não são filiados às associações de moradores. “É preciso lutar mais pelas demandas da zona rural, como construção de pontes e estradas para que os moradores tenham como escoar sua produção”.
Chico da Cib disse que o custo para levar material de construção para quem mora no Tapiraré, por exemplo, é muito alto o frete sobe muito e casa vai custar muito mais que R$ 30 mil. Observou também que o programa nacional da Caixa é com rede de esgoto e tudo, enquanto em Marabá não ocorre assim. As casas distantes acabam ficando mais caras para construtores. “Estamos com dois anos de discussão e até hoje não saiu uma casa. E acho que até final de 2014 se forem inauguradas 200 casas temos de soltar foguete”, ironizou, dizendo que o Banco do Brasil está mais preparado do que Caixa para responder dúvidas dos agricultores.
O vereador Miguelito disse que o valor da casa em Marabá é absurdo e R$ 30.500,00 é pouco demais. “Nunca vi reunião tão grande como essa aqui em Marabá. Levem boas notícias para seu povo na zona rural, não discurso”, sustentou.
A vereadora Júlia Rosa, presidente da Câmara Municipal de Marabá, advertiu que é preciso resolver o problema de regularização fundiária das áreas das vilas para trazer esperança aos moradores e garantir que tenham moradia digna. Ela elogiou a iniciativa do vereador Ilker Moraes, que trouxe à pauta de discussão um assunto muito importante e pediu aos bancos para que tenham mais sensibilidade ao analisar os projetos das famílias carentes que residem em áreas rurais de Marabá.
Diversos representantes de associações de moradores das comunidades rurais usaram da palavra para desabar, apresentar questionamentos e exigir solução para a construção de casas populares nas terras dos trabalhadores rurais.
Ao final da audiência, ficou definido que o Banco do Brasil e Caixa Econômica vão ampliar a discussão com as associações de moradores e que órgãos municipais vão ajudar a dar assessoria para que os projetos sejam elaborados dentro do que preconiza o programa federal.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

NOVO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DE MARABÁ ASSUME OFICIALMENTE AMANHÃ 11/04

Meus Nobres Companheiros e Companheiras de Luta,

Afogado como estou em meio as minhas tantas e tantas horas em sala de aula, coisa que faço com o maior prazer, tenho ficando um pouco longe dos assuntos políticos de nosso município. Por isso, tenho rareado as postagens na nossa página. Todavia, missão dada é missão que deve ser cumprida (missão essa que me impus, informar a educação daquilo que lhe interessa)  como dizem na caserna. Dessa forma, senti hoje uma verdadeira necessidade de novamente dialogar com meus leitores do Gazetando. 
A primeira coisa que fiz foi buscar informações primeiramente nas redes sociais e nos blogs que leio com frequência: Quaradouro, Conta-Ponto e Hiroshi Bogéa Online. É claro que não estou no mundo da lua para não saber o que acontece no nosso município, quis apenas ver se já não estava postado nesses blogs da cidade o que tinha a dizer. Como vi que não, ai estão as informações. 

PEDRO SOUZA NA SEMED: as pessoas andavam, nos corredores das escolas, comentando que tudo não passava de uma jogada para que a secretária adjunta, ligada ao vereador, assumisse a secretaria. Esse boato não tem fundamento, Heide Patrícia Castro, é muito promissora - formada em Letras pela Ufpa e acadêmica do curso de direito - mas não tem o cacife suficiente para tamanha empreitada. Liguei para o vereador Pedro Souza, a informação que ele me repassou foi a de que "o prefeito assinou hoje a portaria, mas a contar a partir de amanhã, (11/04), devido a licença na Câmara Municipal". Informou ainda mesmo que, mesmo não oficialmente, já vinha desde segunda-feira, 07/04, acompanhando a secretaria e que algumas medidas foram tomadas para fazer a secretaria funcionar no "rumo que deve ser as coisas". A principal dessas coisas é a questão da merenda escolar. Segundo ele, foi dado um ultimato para a empresa fornecedora se adequar e regularizar a situação até o final dessa semana, sob pena de quebra de contrato a ser realizada unilateralmente pela prefeitura, já na segunda-feira próxima. Disse ainda que estava assumindo a secretaria "não para tentar resolver os problemas, mas para resolvê-los". Promete resgatar todos os compromissos assumidos pela Carta Compromisso com a educação que o prefeito assinou, quando então candidato. Vamos aguardar e ver. O seu lugar na Câmara Municipal será assumido pelo suplente e ex-vereador Edvaldo Mototáxi (PROS).

VEREADORA TOINHA NA SAMSU E BRESSAN NA CÂMARA: questionei se confirmava a especulação da ida da vereadora Toinha do PT para a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos - SEMSU, o que resultaria na nomeação do agora ex-secretário de educação e suplente de vereador, Luís Bressan, para a CMM, Pedro Souza respondeu: "Não. O prefeito ainda não fechou as outras mudanças no governo"
Essa seria a melhor jogada para o PT nesse momento. Toinha teria ampliado o seu leque de atuação política, tendo a chance de atuar na esfera administrativa, em uma pasta que será bastante visualizada nos próximos anos em nossa cidade, dando ao seu "companheiro" de partido uma chande de se redimir da desastrosa passagem pela Secretaria de Educação. 
Não me faço aqui juiz, mas espectador, usuário e servidor público. Torcerei para que as intenções sejam boas e os resultados melhores ainda. Vamos ver, vamos ver.




quarta-feira, 9 de abril de 2014

SINTEPP DE PARAUAPEBAS PROMOVE CURSINHO PARA PROFESSORES


10 para o SINTEPP parauapebense




O SINTEPP geralmente faz alguma ação em tempos de greve, dia do professor e do servidor municipal, mas a ideia de criar o cursinho preparatório para o Concurso Público da Prefeitura Municipal de Parauapebas foi a grande sacada.







Conversei com vários professores que estão participando do cursinho e todos parabenizaram o sindicato em dar total apoio aos professores filiados e não filiados para que tenham condições de concorrer com caravanas de professores que virão de outros estados em busca de melhorias de vida e salários dignos, pois poucas são as cidades brasileiras que valorizam os professores como Parauapebas.


O SINTEPP disponibilizou a agenda de programação
Local - Câmara Municipal de Vereadores
Horário - 19 horas, nos seguintes dias:
Terça-feira (08-04-2014)- Redação- Professor Nery
Quarta-feira (09-04-2014)- Informática- Professor Valdejan
Quinta-feira (10-04-2014)- Legislação- Professor Tone




Postado por Alderi




terça-feira, 8 de abril de 2014

ANÁLISE DA OBRA ROMAGEM DOS AGRAVADOS DE GIL VICENTE


Obra representante do Humanismo na lista de leituras da Universidade Estadual do Pará - UEPA para o PRISE e PROSEL/2014, Romagem dos Agravados representa um desafio para leitores jovens do primeiro ano do ensino médio. Essa postagem tem por objetivo auxiliar o aluno que se dispunha a estudar essa obra tão distante de nosso momento e de nossa cultura atual. Tomei como texto base de Felipe-Antonio Fernandes Diez, da Universidade de Coruna (A ROMAGEM DOS AGRAVADOS DE GIL VICENTE: ASPECTOS ECDÓTICOS E APROXIMA<;ÁO LITERÁRIA1 Filipe-António Fernández Diez Universidade da Coruñ) publicado no endereço eletrônico http://ruc.udc.es/dspace/bitstream. Vamos primeiramente situar a obra dentro do Humanismo. 


  • O HUMANISMO: século XV - Ano de 1400 e início do Século XVI
O HOMEM É A MEDIDA DE TODAS AS COISAS

No século XV começa a acontecer uma verdadeira reviravolta na Literatura. O pensamento religioso que dominou a Idade Média começa a ser substituído por uma revalorização da Antiguidade Clássica elaborada pelo Renascimento. O Humanismo, iniciado na Itália, corresponde ao período de transição entre a Era Medieval e a Era Clássica (para a literatura e demais artes, na história temos a transição da Idade Média para a Idade Moderna). Os humanistas trocam as ideias de teocentrismo (teo= deus) pelo antropocentrismo (antropo=homem). O homem passa a ser o centro do intersere para as reflexões. 
As ideias do Humanismo vão favorecer um reflorescimento da Literatura portuguesa. Três gêneros literários ganham bastante destaque nesse momento em Portugal: o lírico, o historiográfico e o dramático.  É nesse último gênero, o dramático, que se situa Gil Vicente (1465-1537), que é considerado o primeiro dramaturgo (quem escreve peças teatrais) de Portugal, e talvez, o maior de todos. Gil Vicente estreia no ano de 1502, nas celebrações do nascimento de dom João III, futuro rei de Portugal. 
  • O Teatro Vicentino: a obra de Gil Vicente pode ser dividida em três fases
_ A primeira fase (1502 a 1508): peças predominantemente religiosas, mas que já se percebe influências do espirito humanista de seu tempo, pela presença de certo paganismo em uma atmosfera sacra geral da obra.
_ A segunda fase ( 1508 a 1516): além da crítica religiosa passa a fazer a critica social.
_ A terceira fase (1516 em diante): momento mais alto da obra de Gil Vicente. Pertencem a esse período suas obras-primas, como a trilogia das barcas (Auto da barca do Inferno, Auto da barca da glória e Auto da barca do Purgatório) e a Farsa de Inês Pereira. "A crítica dos costumes alcança seu ponto mais alto e do clero à plebe, todas as camadas sociais são exemplos de como o ser humano, representado por tipos sociais específicos, se comporta em desacordo com princípios morais nobres, como os do cristianísmo, que só aparentemente moldam aquela sociedade. [...] a farsa é mais direta e seu humor, na obra de Gil Vicente, tem o mesmo poder satírico e moralizante observado nos autos.". (BARRETO). 

ROMAGEM DOS AGRAVADOS (CLIC AQUI PARA ACESSAR A PEÇA)

Apresentada no ano de 1933, ao já então rei de Portugal, D. João III, quando do nascimento de seu filho o infante D. Felipe, a obra pertence à terceira fase do teatro vicentino. 

  • CLASSIFICAÇÃO DA OBRA: farsa de caráter satírico, apesar de aparecer no livro das Tragicomédias. Romagem dos agravados significa romaria dos ofendidos. A fala inicial de Frei Paço é a chave da sátira da Romagem. 
  • PERSONAGENS: Frei Paço, João Mortinheira e Bastião seu filho, Bereniso e Colopêndio fidalgos, Marta do Prado e Branca do Rego regateiras, Cerro Ventoso, Frei Narciso, Aparício Eanes e sua filha Giralda, Domicília e Dorosia freiras, Hilária e Juliana pastoras.

CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS DA OBRA: a peça é formada por 1110 versos em redondilhas maior, divididos em estrofes de cinco versos cada, exceto a canção que fecha a peça, com o seguinte esquema de rimas ABBAB. 
Fellipe-Antonio observa as seguintes características na peça: 
  • As personagens como tipos prefigurados e já conhecidos do público (lavradoras, pastoras, freiras, freires, fidalgos, regateiras ...);
  • A acumulação de casos que dão corpo as personagens;
  • as personagens desfilam a moda de procissão dando ao título da peça uma nova dimensão expressiva;
  • As personagens que se incorporam à cena são apresentadas por outra já conhecida (Frei Paço) 
Veja

"Entrará logo um vilão  - A
chamado João Mortinheira -B
agravado em grã maneira. - B
Quero ver sua paixão - A
assentado nesta cadeira." - B (v.v. 55-60) 

Marcamos nessa estrofe, com letras maiúsculas em vermelho o esquema de rimas. Fazendo a escansão dos versos temos: 
    1    2     3    4     5        6      7
"En /tra/ rá / lo/ go um/  vi/ lão/  - A
   1     2       3    4         5      6    7
cha/ ma / do / João/  Mor / ti/ nhei / ra -B
 1     2     3       4         5       6     7
a / gra / va / do em/  grã/  ma/ nei / ra. - B
 
  • O nome das personagem tem uma carga expressiva que descreve de ante-mão o caráter da personagem, e/ou a verdade ou falsidade de seu agravo (sua ofensa), com é o caso de "Dorósia", que lembra "dor". 
  • Frei Paço funciona como elemento motor da obra. Sempre anunciando a próxima personagem e dialogando com elas. Ele faz a fala inicial apresentando a peça. 
Observe: 
"O auto que ora vereis
se chama irmãos amados
Romagem dos Agravados
inda que alguns achareis
que se agravam de abastados. 45

E pera declaração
desta obra santa et cetra
quisera dizer quem são
as figuras que virão
por se entender bem a letra". 50

A estrutura da obra está assentada na repetição e numa considerável simetria, mas introduzem elementos de variação, como o fato de diferentes personagens alternarem com Frei Paço a apresentação de novas figuras.
Outra característica observada na peça é a caracterização das personagens através da linguagem.
  • Apraciantes: lavrador que fala bem;
  • Maria do Prado e Branca Rego: linguagem cheia de desvios para mostrar sua classe social baixa. 
  • Uso de linguagens especiais no diálogo de Frei Paço com Bastian e Giralda e a canção que encerra a peça. 
"Frei Paço  Ó senhora que matais
                 a todos quantos feris 810
                 e a ninguém perdoais.
Giralda    Quam docemente mentis
                  todos quantos bem falais."

  • Os jogos com os duplos sentidos das palavras e expressões, postos na boca de personagens dentistas, como elemento satírico.        
Veja aqui, onde Cerro Venturoso faz um trocadilho entre Paço, nome do Frei, e paço que também significa castelo real, ao fazer comparação entre Frei Paço e São Gerônimo.

"Mas vós padre sois do Paço
e sam Jerónimo do ermo
e nam dobrais vosso braço
açoutando o espinhaço 635
nem trazeis o peito enfermo".

OS TEMAS DA CRÍTICA

Além da construção satírica a obra estrutura-se em três planos fundamentais: a crítica ao estamento (divisão) clerical; a crítica ao estamento nobiliar (entre os nobres) e a crítica de costumes sociais. Ponto comum entre os planos é o rejeitamento de um comportamento ético firmado na ambição desmedida e torpe, personificada em tipos que são ridicularizados pelo autor. O próprio Frei Paço que dirige as críticas as demais personagens reflete em si todos os vícios. 

  • CRÍTICA AO ESTAMENTO CLERICAL: Crítica à Igreja
- A figura de Frei Narcisio representa: ambição social, falta de vocação espiritual, a relaxação dos membros da igreja: Frei Narcísio galanteia a freira Dorosia.

                              
"Dorosia          Deo gracias padre Narciso.
Frei Narciso  Pera sempre aleluia.
Dorosia         Pois is nesta romaria 890
                      assi Deos vos dê o paraíso
                     que vamos em companhia.

Frei Narciso  Iria mui ledo em cabo
                     milhor que pera o mosteiro
                     mas o amor é tam ligeiro 895
                    que o dai vós ao diabo
                    e temo seu cativeiro.

Dorosia        Iremos padre rezando
                      sempre de noite e de dia.
Frei Narciso Já disse que folgaria 900
                    mas temo de ir sospirando

                    mais vezes do que eu queria"

Frei Narcisio faz críticas ao sistema de provisão de cargos de autoridades dentro da igreja. 

"Frei Narciso  Já fizessem-me ora bispo
                      siquer do ilhéu de Peniche 605
                      pois sam frade pera isso.

Que, sem saber ler nem rezar,
vi eu já bispos que pasmo
e nam sei conjecturar
como se pode assentar 610
mítara em cabeça de asno".

Frei Narcísio representa também a hipocrisia, pois ao mesmo tempo que galanteia a freira, repreende o desejo de liberdade de Dorósia e Domicília, recomendando-lhes se submeteram ao regime de observância do mosteiro. 

  •  A CRÍTICA AO ESTAMENTO DA NOBREZA
- Personagens típicas: Colopêndio e Berenisio representam atitudes corteses já ultrapassadas, os tópicos do namorado sofredor e da crueldade da dama por sua não correspondência amorosa. São utilizadas hiperboles (exageros) e estilo pastoril. 
Veja. 



"Porque tais carreiras sigo
e com tal dita naci 215
nesta vida em que nam vivo
que eu cuido que estou comigo
eu ando fora de mi.

Quando falo estou calado
quando estou entonces ando 220
quando ando estou quedado
quando durmo estou acordado
quando acordo estou sonhando.

Quando chamo entam respondo
quando choro entonces rio 225
quando me queimo hei frio
quando me mostro me escondo
quando espero desconfio.

Nam sei se sei o que digo
que cousa certa nam acerto 230
se fujo de meu perigo
cada vez estou mais perto
de ter mor guerra comigo."

Por seu lado, Cerro Ventoso representa a ambição ao dinheiro e a dignidade nobiliar. 

  • Estamentos mais populares (lavradeiras, regateiras, pastoras) serve para o autor oferecer uma perspectiva de numerosos fenômenos sociais:
a) A percepção utilitarista da religião, como J. Mortinheira quer que seu filho, sem nenhum talento, se torne uma membro da igreja visando a ascensão social. 
b) O anticlericalismo e a crítica aos poderosos. 

"Branca   Eles são os presidentes 470
               e os mesmos requerentes
               e se lhes dizeis que é mal
               tornam a culpa ao sinal
              e eles fazem-se inacentes".

c) As tentativas de ascensão social por parte das classes baixas, Giralda e Bastian representam isso. 

d) Os casamentos acertados e a questão do livre alvedrio (livre-arbítrio). Hilária e Juliana renegam os maridos que as suas famílias procuram para elas, pela sua vez apaixonados por outros pretendentes.  

Hilária O meu Silvestre anda morto
           porque me querem casar 940
           com o filho de Pero Torto.
Juliana E o meu Brás quer-se enforcar
            porque me casam no Porto.

Hilária Silvestre há de fazer
           um desatino de si. 945
Juliana E Brás há de endoudecer
           pois Deos nam há de querer
           que eu nada faça de mi.

Hilária Juliana que faremos?
Juliana Bofé Hilária nam sei. 950
Hilária Sabes mana que eu farei?
Juliana Dize rogo-to e veremos.
Hilária Escuta que eu to direi...

           Direi que andando a de parte
           com o meu gado em Alqueidão 955
            me apareceu uma visão
            que me disse: moça guar-te
             de chegares a barão.

E assi me escusarei
deste negro casamento 960
e depois andando o tempo
outra visão acharei
que case a contentamento.

Juliana Eu direi que um escolar
           me tirou o nacimento 965
           e disse: o teu casamento
           se no Porto hás de casar
           amara vida te sento.

            Ca serás demoninhada
            esses dias que viveres. 970
Hilária Quê? Co essa emborilhada
            ficarás desabafada
            casarás com quem quiseres.

Juliana A fortuna todavia
           nos tem que farte agravadas 975
           andemos nossas jornadas
           cheguemos à romaria
           e seremos descansadas. 

A questão do livre arbítrio, já implícita no problema do casamento, atinge as freiras Dorósia e Domicília, reclusas no convento contra a  própria vontade. Essa questão se completa no diálogo entre Frei Paço e Marta do Rego sobre a determinação. Frei paço assume a postura determinista nos planos sociais, Marta Rego, a de antideterminista. 
           Veja esse trecho interessante:

"Frei Paço             Porque os casamentos 500
                todos são porque hão de ser    
                e com quem, desde o nacer,    
                e a que horas e momentos       
                assi há de acontecer.    
                              
                E assi as religiosas           505
                naceram pera ser freiras            
                e vós pera regateiras    
                outras pera ser viçosas
                e outras pera canseiras.              
                              
Marta   E vós mano frei trogalho              510
                em que perneta nacestes          
                que màora cá viestes? 
                Dizei padre frei chocalho            
                tudo vós isso aprendestes.       
                              
                Cebolinho e espinafre  515
                já vo-la barba nace        
                ora ouvide-lhe o sermão            
                e tangede-lhe o atabaque         
                nam caia ponde-lhe a mão.       
                              
                O que as pranetas fazem            520
                é porque nós o causamos          
                e se fortunas nos trazem           
                é porque nós as buscamos        
                que os erros de nós nacem. "


É Frei Paço quem encerra a peça com esse discurso em tom moralizante como é toda a obra: 

Frei Paço             Agravos que nam tem cura       
                procurai de os esquecer             
                que impossível é vencer             
                batalha contra ventura
                quem ventura nam tiver.            1050
                              
                Nam deve lembrar agora           
                agravos nem fantesias 
                senam muitas alegrias 
                à rainha nossa senhora
                que viva infinitos dias.  1055
                              
                Cantemos uma cantiga
                ao mesmo ifante bento              
                e ao seu bento nacimento         
                por que a rainha nam diga         
                que somos homens de vento.  1060